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Aqueles que fizeram o favor de ler o livro Cinco Séculos de Poesia - Antologia da Poesia Clássica Brasileira, que organizei para esta casa em 2000, talvez se recordem que a introdução ao volume se encerrava com uma promessa: a continuação da antologia. O projeto geral é organizar três volumes. O primeiro, já publicado, abrangia a poesia brasileira anterior ao modernismo: de Anchieta a Augusto dos Anjos. Um segundo, ainda em elaboração, apresentará a poesia brasileira do século XX, do Modernismo de Manuel Bandeira, Oswald e Mário de Andrade, passando por poetas como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Murilo Mendes e João Cabral de Melo Neto, pela Poesia Concreta de Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, e chegando às obras de Paulo Leminski, Torquato Neto, Sebastião Uchoa Leite, Affonso Ávila e outros que foram fundamentais na década de 70 e que, já consagrados, continuam sendo capitais para aqueles que procuram produzir uma poesia de qualidade e invenção no Brasil. Foi exatamente no intuito de apresentar uma boa parcela do que se faz hoje, em termos de invenção poética, que resolvemos adiantar aqui o terceiro volume da trilogia. Uma circunstância feliz possibilitou a existência antecipada desse volume: o meu encontro com o poeta Cláudio Daniel, ele mesmo uma das vozes mais fortes e conseqüentes da atual poesia brasileira, que estava, já há algum tempo, organizando uma antologia da produção poética dos anos 90. Companheiro de trabalho competente, laborioso e rigoroso, Cláudio Daniel discutiu comigo cada um(a) do(a)s poetas selecionado(a)s. Como normalmente se dá quando se discute qualidade em poesia, nem sempre o acordo foi fácil, mas a discussão foi sempre enriquecedora e amigável. Acabamos por selecionar 46 poetas, representados por 252 poemas. A escolha, de maneira alguma, representa uma afirmação categórica de que esses são o(a)s melhores poetas do Brasil hoje. Esta antologia é um amplo panorama da poesia de invenção, dentro dos limites do que conhecemos e pesquisamos, no Brasil da virada do século XX para o XXI. Erramos? Certamente. Só o tempo, o maior dos críticos literários, poderá trazer à tona os erros e acertos das nossas escolhas. Em tempo: se colocamos nossos próprios poemas na antologia, foi porque certamente acreditamos na honestidade e na pertinência da pesquisa poética um do outro. Esta antologia jamais seria possível sem a coragem e a ousadia, quase quixotescas, do editor Antonio Daniel Abreu, que, a cada publicação, solidifica mais o nome da Landy como uma das editoras mais significativas do país. Também não se realizaria sem a generosidade dos poetas aqui representados, que gentilmente autorizaram a publicação de suas obras. Agradecido, espero que esta antologia possa ajudar na divulgação, tão carente quanto necessária, do talento e do esforço de todos eles. E que possa demonstrar a riqueza da produção poética brasileira atual, que vai muito além dos “clubinhos” ou das “ações entre amigos” que tanto aparecem na mídia e tanto mal fazem à vida (e à poesia) brasileira. Frederico
Barbosa
Tamandaré,
PE,
fevereiro
de 2002.
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